Mapa da Freguesia


Heráldica

 
Tradições  



Padroeira da Freguesia
: Santa Maria

As tradições na freguesia de Santa Maria estão intimamente ligadas à religião, celebrando-se festas e romarias em honra de Santo Antão (17 de Janeiro), Nossa Senhora da Graça (2 de Fevereiro), Santo André, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Luz, Santo António e Nossa Senhora dos Milagres. É igualmente típica desta freguesia a Procissão da Rapaziada e a Procissão da Ordem de Terceira em honra de S. Francisco (início da Quaresma) a celebração da Semana Santa (Páscoa) assume também grande destaque.

Romaria de Santo Antão

Na época da crise dinástica de 1383/1385, o reino de Portugal esteve ocupado pelos castelhanos, tendo sido o Mestre de Avis, futuro D. João I, o líder da revolta lusitana. Com a Batalha de Aljubarrota, as praças portuguesas em poder de Castela começaram a cair. Assim, depois de o porto de Atouguia ter sido abandonado pelos castelhanos, os obidenses entregaram-se ao Mestre de Avis, que organizou militarmente o território, com o intuito de defender melhor o reino.

Um dos combatentes da Ala dos Namorados, designação dada, de acordo com o professor Carlos Orlando Rodrigues, “ao lado direito do quadrante, mais exactamente à vanguarda virada para Leiria, que os portugueses formaram como táctica de combate na Batalha de Aljubarrota” foi D. Antão Vaz Moniz, fidalgo de Óbidos e cavaleiro a pé. Depois da vitória na referida batalha, D. Antão, em 1386, mandou edificar uma capelinha em honra do santo do mesmo nome. Essa ermida foi construída no cimo de um monte, a norte da vila, de onde se obtém uma vista panorâmica deslumbrante. D. Antão passou aí os últimos anos da sua vida, enquanto asceta, tendo pedido para ser sepultado no interior da capela, sem qualquer tipo de inscrição.

Estes acontecimentos históricos originaram a famosa romaria de Santo Antão, que se realiza nesta freguesia, a 17 de Janeiro. A ermida situada nu local de difícil acesso, mas de grande importância agro-pecuária, tendo o porco um papel relevante.

Santo Antão é invocado em caso de doença de algum animal ou no caso de se ambicionar uma boa ninhada. Antigamente as promessas cumpriam-se com a oferta de linguiças ao Santo, mas, actualmente, os chouriços são pesados e os crentes oferecem o valor monetário correspondente, reservando os enchidos para a merenda.

Outra das características desta romaria está relacionada com a distribuição pelos devotos de fitas cor-de-rosa e de velas que, depois de benzidas, são colocadas ao pescoço dos animais (as fitas) e guardadas para serem acesas nos estábulos (velas), no caso de a doença visitar os moradores.
A romaria de Santo Antão, nos dias de hoje, continua a ser alegre e saudável convívio entre pessoas, mantendo-se, por isso, bem vivo o espírito de reencontro anual. Para acompanhar a confraternização, é típico o saboroso chouriço assado e o bom vinho da região.

Esta romaria é uma das mais importantes do concelho e do distrito, uma vez que atrai, pela fé e pelo delicioso manjar, uma grande quantidade de romeiros.

Festa de Nossa Senhora (Santa Maria) da Graça


Os conflitos internos entre nobres, monarca e membros do clero acentuaram-se no reino de D. Sancho II, originando a intervenção do Papa, em 1229. Na sequência desta intervenção, o Sumo Pontífice entregou a administração do reino ao Conde de Bolonha, futuro D. Afonso III. Assim, em 1246, D. Afonso marchou sobre Óbidos, com o intuito de tomar a vila e de obrigar os seus habitantes a reconhecerem-no como rei de Portugal. No entanto, os obidenses decidiram permanecer fiéis a D. Sancho II e resistiram às investidas do Conde. D. Afonso ordenou, então, um cerco a Óbidos que durou oito meses, sem que a atitude dos locais se alterasse. Desta forma D. Afonso acabou por levantar o cerco, sem obter o resultado esperado. Só depois da morte de D. Sancho II é que Óbidos se entregou ao novo rei (D. Afonso III), o que levou a que este a denominasse de “Nobre e sempre Leal”.

A resistência bem sucedida de Óbidos levou os seus habitantes a erguer, em acção de graças, um nicho num torreão, com a imagem da Virgem com o Menino (Nossa Senhora da Graça).

Em 1727, foi construído o Oratório de Nossa Senhora da Graça, na Porta do Vale, a mando de Bernardo de Palma, magistrado na Índia, em cumprimento de uma promessa de sua filha que morreu aos 22 anos, devido a uma paixão avassaladora por um rapaz de Óbidos.

Foi neste contexto histórico que surgiu a festa em honra de Nossa Senhora da Graça, também designada de Festa do Padre António, que se celebra no dia 2 de Fevereiro.

Nos dias de hoje, mantém-se a tradição da Procissão que sai do velho torreão e entra na Igreja de Santa Maria. A imagem de Nossa Senhora da Graça encontra-se na Igreja Matriz, por motivos de segurança, assim como as outras quatro imagens que datam do século XVIII e que a acompanham (Santa Ana, São Joaquim, São José e Santo António com o Menino).

Na década de sessenta do século passado, esta tradição foi recuperada, bem como a da realização de uma enorme fogueira, na Praça de Santa Maria, à volta da qual os habitantes se aquecem, dançam ao som da Banda de Óbidos, assam algumas entremeadas oferecidas pela autarquia e comem filhós, tudo acompanhado pelo vinho de grande qualidade da região.

A confraternização popular desta festa acaba por ser um complemento da Romaria de Santo Antão, visto que as pessoas trazem os chouriços que sobraram desse dia.

Procissão da Rapaziada

A Procissão Penitencial da Ordem Terceira de São Francisco, vulgarmente conhecida pelo Procissão da Rapaziada, sai, no primeiro Domingo da Quaresma, da Ermida de Nossa Senhora de Monserrate, seguindo a seguinte disposição: o cortejo religioso inicia-se com uma cruz com o emblema franciscano, seguindo-se três anjinhos portadores de uma caveira, de um coração e de cinzas. Imediatamente a seguir, vêm as imagens de São Salvador do Mundo, de Bem Casados (São Francisco de Assis recebendo na Ordem os esposos Lúcio e Bona), Santa Margarida de Cortona, São Luís (rei de França), Santa Isabel (rainha da Hungria, tia da nossa Rainha Santa), Santa Bibiana (padroeira dos alcoólicos), Santo Ivo (médico), Santa Rosa de Viterbo e São Francisco de Assis a receber as Sagradas no Monte Alverne. Entre cada andor, sempre muito bem decorados com flores, vão anjos portadores de atributos dos santos ou de flores. A Procissão termina com a exposição do Santo Lenho sob o pálio, que é antecedida por uma cruz processional e pelos acólitos. Logo atrás, segue o acompanhamento musical e um grande número de fiéis. Esta Procissão passa pela Igreja da Misericórdia, onde se celebra o sermão, depois, de regresso à capela.

Trata-se de uma manifestação religiosa de grande devoção popular, cuja tradição é já muito antiga.

Em defesa das tradições

A freguesia de Santa Maria de Óbidos conta com diversas associações para preservar e divulgar as tradições locais:

Santa Casa da Misericórdia da Vila de Óbidos
Associação de Defesa do Património do Concelho de Óbidos
Sport Club do Bairro
Centro Cultural Social e Recreativo Carregalense
Associação Cultural Recreativa Desportiva de Trás do Outeiro
Centro Cultural Social e Recreativo Arelhense
União Filarmónica de A-da-Gorda
Vitória Club Dagordense
Associação Espeleológica de Óbidos