O Pelourinho da vila
O Pelourinho de Óbidos é o “padrão” que simboliza os poderes e autonomia do município. Este marco define o “centro” simbólico do poder e foi erigido na sequência da outorga do Foral, datado de 20 de Agosto de 1513, documento legislativo que estabelecia as regras de funcionamento da autarquia em face da Coroa e dos membros da comunidade civil.
O pelourinho de Óbidos, outrora em frente dos Paços do Concelho manuelinos, foi deslocado para a Rua Direita e centrado com o chafariz da Praça de Santa Maria, aquando das profundas transformações urbanísticas mandadas executar pela rainha D. Catarina de Áustria, mulher do rei D. João III.
A coluna, assente num supedâneo de três degraus e coroada com uma pinha, apresenta, ainda, as marcas de uma argola de metal onde, eventualmente, os condenados seriam expostos para humilhação pública e porta as Armas Reais e as armas pessoais da rainha D. Leonor de Lencastre (mulher de D. João II), onde se observa uma rede. Estas armas de D. Leonor foram, durante muito tempo, o brasão da Vila de Óbidos e representam as redes que recolheram o corpo, já sem vida, do Príncipe D. Afonso, único filho varão herdeiro de D. João II, morto por afogamento no Rio Tejo junto à cidade de Santarém.
Castelo e
Pousada do Castelo

Pensa-se que o Castelo de Óbidos integrava uma rede de castros (Assenta e Santo Antão), funcionando como local de defesa e de refúgio, em caso de ataque, da maior parte da população que vivia nas suas imediações.
O Castelo situa-se no cume de um monte escarpado, a cerca de oitenta metros de altitude, sobranceiro ao Rio Arnóia. A sua localização aumentava as condições de defesa e algumas das cercas das muralhas eram mesmo rochas naturais.
Depois das conquistas de Santarém e de Lisboa, D. Afonso Henriques preocupou-se com a reconstrução do Castelo de Óbidos e com a “purificação” do templo maometano, dado que, de acordo com o professor Carlos Orlando Rodrigues, “naquele tempo o conceito de Território Cristão e o de Fé constituíam, na realidade, um todo indivisível”.
D. Sancho I ordenou a construção da torre albarrã do Castelo e, entre os séculos XII e XVII, a importância geográfica de Óbidos originou várias remodelações nesta fortaleza. Assim, no reinado de D. Dinis, foram realizadas obras de ampliação, aperfeiçoamento e reforço das muralhas, tendo-se construído, igualmente, uma nova torre que, ainda hoje, conserva o seu nome. No ano de 1375, foi erigida a Torre de Menagem, designada de Torre de D. Fernando.
O Célebre cronista Fernão Lopes deu a conhecer, na Crónica de D. Fernando, um testemunho importante sobre a conclusão do perímetro muralhado de Óbidos.
No inicio, o Castelo de Óbidos detinha, apenas, duas portas: uma abria para a povoação, enquanto que a outra abria para o terreno exterior. Actualmente, o acesso ao recinto muralhado é feito através de quatro portas (Porta da Vila, Porta da Talhada ou da Rainha, Porta da Cerca e Porta do Vale ou de Nossa Senhora da Graça) e de dois postigos (Postigo do Poço ou do Arrabalde, Postigo do Jogo da Bola).
No reinado de D. Manuel I, prosseguiram os melhoramentos na fortaleza e foi construído um Paço, mas o terramoto de 1755 provocou graves danos em toda a estrutura do perímetro muralhado da Vila de Óbidos. Entre essa data e o final da Segunda Guerra Mundial, o estado do Castelo não sofreu alterações, até que a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, do Ministério das Obras Públicas, a partir de 1947/48, decidiu empreender obras de restauro da fortaleza. De acordo com o professor Carlos Orlando Rodrigues, as obras de reordenamento arquitectónico do Castelo estavam concluídas em 1950. Alguns anos mais tarde, em 1962, a mesma Direcção Geral levou a cabo obras importantes de reparação da muralha, tendo sido apeado um segundo segmento entre o Postigo de Baixo e o ângulo pronunciado que se encontra a nascente da mesma linha. Mais recentemente, no ano de 2000, foi efectuado o restauro no Oratório de Nossa Senhora da Graça, situado na Porta do Vale. Outra das áreas de intervenção está relacionada com o aproveitamento e a requalificação da Cerca do Castelo.
Segundo a opinião do professor Carlos Orlando Rodrigues “Esta obra, dividida em várias fases, constitui apesar de tudo uma série de operações não isentas de alguma polémica, havendo vozes que reconhecem como válido o aproveitamento da referida cerca, outras, porém têm sustentado que os resultados estéticos não são satisfatórios num sentido global e a relação de investimento-funcionalidade é bastante deficiente”.
No ano 2000, ficaram concluídos os trabalhos de construção de dois anfiteatros, e no ano de 2001 a segunda fase dos trabalhos que consistiram em intervenções na zona de “Jogo da Bola”, na Capela de São João do Mocharro (Nossa Senhora do Carmo), construção de escadarias, de percursos pedonais, a instalação de um pequeno café, a construção de um passadiço entre as muralhas poente e nascente, a criação de um acesso pedonal pelo caminho tratado entre a Estação de Caminhos de Ferro e a entrada da Cerca, assim como a construção de um pequeno parque de estacionamento perto do Rio Arnóia.
De salientar que o Paço do Castelo de Óbidos foi recuperado para aí ser instalada uma Pousada, aquela que é considerada a primeira Pousada do Estado num edifício histórico.
Igreja de Santa Maria
A Igreja de Paroquial de Santa Maria é a principal igreja da Vila e foi mandada erigir imediatamente após a conquista de Óbidos aos mouros, em 1148, sendo a primeira pedra do templo consagrada por São Teotónio, prior de Santa Cruz de Coimbra.
A primitiva igreja românica e gótica desapareceu por completo no século XVI, tendo dado origem a um extraordinário exemplar de arquitectura renascentista. Deste período destacam-se os portais, o púlpito e, muito especialmente, o túmulo do Alcaide-mor D. João de Noronha e de sua Mulher, D. Isabel de Sousa, um dos marcos da arte renascentista em Portugal.
Ainda no interior é existe um importante recheio artístico dos séculos XVI e XVII. Destaca-se o retábulo da capela colateral de S. Brás de Diogo Teixeira
(de cerca de 1590, hoje no Museu Municipal), o retábulo da capela mor (de cerca de 1620), a capela colateral de Santa Catarina com telas de Josefa de Óbidos (de 1664), a capela de São Paulo na sacristia e todo o revestimento azulejar proto-barroco, da última década do século XVII).
Nesta igreja, presidindo à cerimónia o Arcebispo de Braga e na presença dos principais prelados do país e da própria Família Real, celebrarou-se, em 1441, o contrato de promessa matrimonial entre o príncipe D. Afonso (futuro de D. Afonso V) com dez anos de idade, e D. Isabel, apenas com oito anos.
Igreja da Misericórdia
Erigida na segunda metade do séc. XVI no lugar da primitiva capela do Espírito Santo esta igreja possui um importante recheio artístico, destacando-se o portal e púlpito (ambos de 1596), o retábulo da capela mor com pinturas de André Reinoso (de 1628), o revestimento azulejar e Virgem com o Menino em cerâmica (ambos de cerca de 1630).
A igreja da Misericórdia é a sede da Santa Casa, instituição de solidariedade fundada em Óbidos pela rainha D. Leonor, mulher de D. João II, na primeira década do século XVI.
Servindo para prestar apoio a todas as pessoas que o solicitassem, sobretudo os mais desfavorecidos, a Santa Casa da Misericórdia acumulava as suas funções de assistência, observando as 14 obras de misericórdia (7 espirituais e 7 corporais), bem como toda a gestão da antiga gafaria fundada cerca de 200 anos antes pela rainha Santa Isabel junto à Porta da Vila.
Igreja de Santiago
Erigida por ordem do rei D. Sancho I em 1186, provavelmente no lugar onde ser ergueu a mesquita islâmica, esta igreja servia para a assistência espiritual aos Alcaides, à guarnição militar e era a “capela” da Corte e das rainhas de Portugal aquando das suas estadas em Óbidos.
Foi sede da paróquia e colegiada de São Tiago desde o século XII até ao século XIX, altura em que integrou a Paróquia de Santa Maria.
Profundamente danificada em 1755, a primitiva igreja, com construção e obras que cobriam o românico, o gótico, o renascimento e o maneirismo, foi totalmente reconstruída, desta feita ao estilo barroco neoclássico, mas sem o brilho e a riqueza de épocas anteriores.
Do primitivo templo resta uma tábua representando S. Tiago Maior (de cerca de 1550), provavelmente uma obra do pintor régio Luís de Morales; tem também uma excelente escultura de Cristo Ressuscitado (de cerca de 1580) ambas no Museu Municipal e uma imagem de Santo António (realizado na Flandres, em meados do século XVI).
Ermida de Nossa Sra. Monserrate ou
Ermida da Ordem Terceira
A história da capela de Nossa Senhora de Monserrate remonta aos finais da Idade Média, mas actualmente assume uma expressão puramente renascentista, já que foi totalmente reedificada no século XVI.
No seu interior, além do requintado conjunto azulejar dos século XVII e XVIII, existe um retábulo maneirista executado em 1599, no seguimento das beneficiações realizadas por ordem do Padre Luís Franco, beneficiado da Igreja de São João do Mocharro. O retábulo, representa diversos santos do panteão franciscano e, na tábua superior, a aparição de Nossa Senhora a São João, quando este, em Patmos, redigia o último livro da Bíblia (o Apocalípse). Este conjunto de pinturas é da autoria de Belchior de Matos, também autor de diversas outras obras existentes em Óbidos, como o retábulo da ermida de Santo Antão e as tábuas provenientes da Misericórdia e actualmente expostas no Museu Municipal.
Na edícula principal do retábulo encontra-se a imagem de Nossa Senhora de Monserrate com o Menino, escultura de finais do século XVI.
São, ainda, desta capela as telas que representam a Adoração dos Magos e São Francisco de Assis (ambas no Museu Municipal) as quais são pertencentes ao círculo de produção ibérica (tenebrista), possivelmente do entorno artístico de Baltazar Gomes Figueira (pai de Josefa de Óbidos).
Em meados do século XVIII a capela foi ampliada e acrescentada a torre sineira, obra que, possivelmente, esteve a cargo do arquitecto do Santuário do Senhor Jesus da Pedra, Capitão Rodrigo Franco.
Capela de S. Paulo ou Capela Funerária do Prior Francisco de Azevedo Caminha
Esta Capela, edificada entre 1696 e 1697, está integrada na Igreja de Santa Maria, sendo considerada Monumento de Interesse Público.
No seu interior, sobressai o pavimento em pedra, com uma grande laje de sepultura, sem legendas sem decoração, em calcário claro, emoldurada em mármore de cor rosa. As paredes encontram-se revestidas a azulejos até á altura da sanca que, por sua vez, é em mármore rosa. A abóbada ostenta um medalhão central decorado com uma coroa aberta e, em torno do feixe de ramos de palma, lê-se a seguinte legende: CORONA IUSTITIÉ. A parede do lado direito possui revestimento de azulejo que está a rodear uma inscrição, também ela em azulejo, que recorda o fundador da Capela:
HOCIACET IN TVMVLO COLVMEN FRANCISCVS / EGENTVM, DISCIPVLVS PAVLI, VIRGINIS EDITVVS. / HUNC MERITO PAVLVS CVSTODIAT ENSE SEPVLTUM; / VT SVPERA SERVET CLAVIBVS ASCE PETRVS. / VT, VIDENT, ORNAVIT SACRTÈ VIRGINIS ÈDEN: / IN CÈLO HÈC REFERET QVÈ SIBI FACTA SOLO. / CONDIDIT, HANC PRÈTER SIBI NIL, QVA CONDITVUR, / VRNAM; / VRNA ILLI SORTIS NOM MELIORIS ERIT, / OMNIA, QVÈQVU PIOS PRVDENS CONSVMPSIT INVSVS / FELIXI QVITANTAS SENPRE HEBEBIT OPES. / VERE OBIIT PIETATE PRIOR, NVLLIQVE SECVNDVS, / PRIMVS.SI QVIS FORTE SECVNDVS.ERIT. 169...
O retábulo do altar remonta aos finais do século XVII e apresenta características do estilo Barroco “Nacional”, ostentando a imagem de São Paulo.
Capela de Nossa Sra. do Carmo ou Capela de São João de Mocharro
Este templo foi edificado, provavelmente, no século XIV, tendo sido sede de paróquia até ao século XVII. Era então conhecida pelo nome de Capela de São João de Mocharro.
Trata-se de uma Capela de características góticas que apresenta um portal de vão em arco quebrado, com arquivoltas assentes em colunas cilíndricas embebidas por capiteis fitomórficos.
No interior, o templo apresenta uma nave única com tecto de madeira que abre para a capela-mor através de um arco triunfal em arco pleno.
Capela de Sto. António
Esta bela Capela dedicada a Santo António de Lisboa situa-se em A-da-Gorda, tendo sido o actual templo edificado em substituição de uma pequena ermida que aí existiu. Da antiga ermida ainda hoje se conserva como relíquia uma imagem antiquíssima, em pedra, do seu patrono.
A actual Capela foi, no século XVII, embelezada com pinturas não assinadas e, no século seguinte, foi revestida, interiormente, de azulejos. No interior, destaca-se, igualmente, três altares de talha dourada, bem como o tríptico de inspiração franciscana que se encontra sobre o cruzeiro do altor-mor. Idêntica atenção merece a pia de água benta, de estilo Romântico, com três cabeças de símio, visto que a tradição diz que a água benta afugenta os demónios.
Ermida de Santo Antão
A noroeste da Vila coroando formoso outeiro que frondosas matas envolvem, foi mandada construir, em cumprimento de um voto, por D. Antão Vaz Moniz, fidalgo obi-dense e um dos combatentes da ala dos namorados em Aljubarrota.
O interior é de uma só nave, coberta de tecto de madeira de três planos, decorada com um revestimento de azulejos azuis e brancos do século XVIII, que representam cenas da vida do padroeiro.
Na parte central inclui-se ao centro, entre colunas clássicas, um nicho que abrigava uma escultura em madeira do orago, obra do século XVII e lateralmente duas pinturas sobre madeira alusivas a Santo Antão no deserto. Santo Antão pregando o evangelho e Santo Antão e S. Paulo eremitas.
No frontão, na parte superior, três tábuas pintadas, representando a do centro a Anunciação, ladeada por dois painéis representando S. Francisco de Assis e Santo António.
Na predela do retábulo existem mais cinto tábuas, representando S. João Evangelista, Santo Amaro e Santo Antão, S. Jerónimo e S. Brás e S. João Baptista.
Ao centro, em predela maior uma inscrição latina, referente à consagração.
Os painéis deste altar-mór são atribuídos a Belchior de Matos.
No altar colateral do lado esquerdo, admira-se uma escultura de pedra, quinhentista, figurando S. Sebastião.
O pequeno templo foi restaurado no século XVIII.
A 17 de Janeiro realiza-se no local uma pitoresca romaria e benção do gado.
Solar de Aboins
O antigo Solar de Aboins situa-se na ala norte da Praça de Santa Maria, sendo, actualmente, ocupado pelo Posto dos Correios.
Trata-se de um edifício de três pisos, estando a fachada principal voltada para a Praça. Dos seus traços arquitectónicos, destaca-se o grande pórtico central que ostenta uma pedra de armas da vila de óbidos.
O interior do edifício está bastante adulterado, devido às obras de adaptação que foram feitas, para que pudesse acolher o Posto Público dos CTT de Óbidos.
Solar dos Brito Pegado (Solar da Praça de Santa Maria / Casa Malta)
Este solar, cujas origens remontam ao séc. XVI, mas com uma feição actual totalmente barroca, foi a casa da família Brito Pegado e é, logo após o Paço dos Alcaides, o palácio urbano com maior presença e prestígio.
A reforma do solar, no século XVIII, deve-se à presença da Rainha D. Maria I e do seu marido D. Pedro III, que por várias ocasiões visitaram a Vila. Sobre o pórtico principal da casa encontram-se duas lápides que comemoram a presença dos reis de Portugal nesta casa em 1792.
No século XX, após um violento incêndio que destruiu todo o seu recheio primitivo, o imóvel foi adquirido pelo Pintor Eduardo Malta, para aqui se poder instalar no período estival ou para simplesmente fugir ao bulício da sua intensa vida social em Lisboa. Já em posse da Câmara Municipal, o solar foi o espaço privilegiado para as inúmeras manifestações culturais ocorridas no último quartel do século XX.
Actualmente é a sede do Museu Municipal de Óbidos, o qual apresenta um importante espólio de arte antiga. A sua abertura ao público prevê-se para Junho de 2005.
Chafariz da Vila ou Chafariz de D. Catarina
Este Chafariz maneirista de espaldar, construído no século XVI, possui dias bicas e, antigamente, era alimentado pelo Aqueduto da Usseira.
Trata-se de um Chafariz que é composto por um tanque rectangular, com um espaldar, encontrando-se, sobre as bicas, duas lages rectangulares. Sobressai, igualmente, um arco de volta perfeita que contém as armas da rainha D. Catarina de Áustria, esposa de D. João III.
Casa da Misericórdia de Óbidos e Sala do Despacho
Trata-se de um edifício de planta longitudional construído no século XVIII, onde, funcionou durante muitos anos o Lar da Santa Casa da Misericordia de Óbidos.
No exterior, destacam-se as três fachadas, com portas rectas e janelas de guilhotina.
No interior, localiza-se a Sala do
Despacho, de planta rectangular, revestida por um silhar de azulejos, que ostenta um tecto de madeira disposto em três planos, sobressaindo, nos caixotões, o monograma da Misericordia e o brasão real.
Cruzeiro da Misericórdia
Este cruzeiro localiza-se no Largo da Misericórdia e está assente num patim com um degrau, apresentando uma base de forma quadrangular. Na face norte, encontra-se a inscrição 1690, que se refere à data da sua construção. A cruz é formada por duas vergas em cantaria entrecruzadas, formando uma cruz latina simples.
Sinagoga
Anteriormente ao desenvolvimento da malha urbana da Vila para Sul, dando origem à abertura da Rua Direita, esta artéria de circulação, designada por Rua Nova, era a mais importante, permitindo a comunicação entre a Estrada Real, o arrabalde, a almedina e judiaria, e a Porta de São Tiago.
Após a tomada de Óbidos aos mouros rapidamente a almedina começa a perder a sua população eminentemente islâmica, talvez porque parte dela se converteu ou porque foram banidos da vila. Esta rua passa, então, a ser o centro de vida dos judeus, persistindo neste espaço até ao século XVI (altura em que foram expulsos de toda a península). A Rua Nova deve este nome ao facto de, no século XVI, ter sido redesenhada em função de diversos abalos sísmicos que deverão ter destruído bastantes casas, tanto mais por serem as mais antigas e frágeis. Contudo ela assenta quase certamente sobre uma rua de traçado semelhante, que seria uma das mais movimentadas e prósperas durante todo o período final da Idade Média. Aqui se concentravam os negócios das principais famílias judias, com as lojas e oficinas.
Tendo em conta a localização da judiaria e de acordo com a tradição, uma das casas da Rua Nova, hoje em completa ruína, foi o templo de oração hebraica, datando, possivelmente do séc. XIV ou XV.
Casa do Arco da Cadeia
A Casa do Arco da Cadeia serviu como Paços do Concelho durante grande parte da Idade Média, sendo posteriormente substituída nessa função com a construção dos Paços de Concelho manuelinos.
Este edifício, que se presume remontar ao início século XIV, manteve grande parte da sua estrutura primitiva até à actualidade.
No século XX foi adquirido pelo pintor, cenógrafo e figurinista Abílio de Matos e Silva, e por sua mulher a arquitecta de interiores Maria José Salavisa.
Em 2002 a casa foi doada à Câmara Municipal para aí ser instalado um núcleo do Museu de Abílio de Matos e Silva, o qual funcionará em articulação como o museu que lhe está anexo.
Casa do Pelourinho
A Casa do Pelourinho é um edifício que remonta ao séc. XIV, tendo sido sucessivamente restaurado e ampliado até ao século XVIII. Durante as obras realizadas entre 1998 e 2003, foram descobertos diversos vestígios de antigas construções, pórticos e diversos objectos, sendo visíveis parte dessas estruturas no interior do imóvel.
Actualmente a Casa do Pelourinho é um espaço muito procurado pela população e visitantes, albergando a Galeria Municipal de Arte Contemporânea, uma loja com produtos exclusivamente inspirados no património local, o Espaço Internet e um ponto de informações turísticas.
Paços do Concelho (cadeia, julgado municipal e Museu)
O antigo edifício dos Paços de Concelho foi construído na reforma administrativa de D. Manuel I, de acordo com o modelo arquitectónico vigente na época; substituindo ou ampliando o antigo edifício do séc. XIV-XV, do qual ainda subsiste o grande arco gótico que lhe está próximo (na Rua do Arco da Cadeia).
Este edifício sofreu obras profundas ainda no séc. XVI, aquando da restruturação da Praça de Santa Maria e, sobretudo, em 1665, sendo essa a feição que actualmente apresenta. Serviu como cadeia até ao início do século XX.
Entre 1963 e 1970 o edifício, que não só estava devoluto como em profunda ruína, foi inteiramente restaurado com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo aí sido instalado o Museu Municipal, cuja inauguração ocorreu a 15 de Junho de 1970.
Mantendo a sua função, este edifício irá albergar o Museu de Abílio de Matos e Silva, importante cenógrafo, figurinista e pintor do séc. XX, sendo articulado com a casa particular deste artista (a Casa do Arco da Cadeia).
Passos do Calvário
Os passos representam algumas passagens do Calvário de Cristo a caminho da sua crucificação e estão distribuídos em diversos locais do burgo, nomeadamente em cinco pontos principais por onde a Procissão de Passos transita (Porta da Vila, São Pedro, Santa Maria, São Tiago e no Largo do Chafariz do Poço).
Na Semana Santa os passos da Vila, tradicionalmente encerrados todo o ano, são abertos, expondo-se um adornado retábulo e uma representação em tela do episódio bíblico correspondente.
De todos os passos, o mais antigo e exuberante é o da Porta da Vila, construído no reinado do rei D. João V (entre 1740 e 1750) e com uma estrutura arquitectónica desenhada por Rodrigo Franco, arquitecto do
Santuário do Senhor Jesus da Pedra.
Praça de Santa Maria
A Praça de Santa Maria é um dos marcos mais importantes na definição da estrutura urbana da Vila de Óbidos e uma das praças renascentistas mais interessantes em Portugal.
Desde meados do século XVI esta Praça é o coração da Vila, sendo palco das principais cerimónias religiosas e civis.
Com a profunda restruturação da malha urbana de Óbidos, realizada no período renascentista por ordem da rainha D. Catarina de Áustria, mulher de D. João III, a Praça de Santa Maria transformou-se num dos principais símbolos da vila, sendo ainda, para o seu tempo, uma das maiores praças públicas do país.
Em torno desta praça encontram-se alguns dos principais edifícios, nomeadamente a Igreja de Santa Maria; os Paços de Concelho manuelinos, que também serviram de cárcere e tribunal; o Solar da Praça (o palácio mais prestigiado da vila a seguir ao Paço dos Alcaides); o Solar dos Aboins, imponente construção em cantaria, do século XVIII, mandada executar pelo rei D. João V de modo a que a casa tivesse condições de receber a Família Real; e o Telheiro, espaço público já referenciado em documentos do séc. XV, e que serviu de mercado e de balcão de honra às principais cerimónias.
Frente à Igreja de Santa Maria encontra-se o principal chafariz da Vila, mandado instalar em 1575 por ordem da Rainha D. Catarina. A água corrente neste ponto de abastecimento provém da localidade de Usseira, a cerca de três quilómetros, percorrendo um aqueduto que se encontra no exterior da muralha.
Torre dos Manuéis
Remontando ao século XIV-XV, esta casa com a volumetria típica da Idade Média, transformou-se no espaço mais cenográfico da Vila de Óbidos após a obras de restauro ocorridas nos anos 60 do século passado.
Torre Albarrã (ou do Relógio)
A Torre Albarrã constitui uma importante marca histórica em Óbidos. Sendo a sua função mais civil que militar, esta torre serviu como primeiro Paço do Concelho, também como casa do tesouro e cadeia. No século XVI, no reinado de D. João III, aí se instalou uma Aula de Matemática e uma Aula de Teologia.
É conhecida, também, por torre do relógio, já que em 1842, aí se edificou uma enorme estrutura de campanário com relógio, a qual ainda foi registada nas fotografias de finais do século XIX. A torre foi demolida nos anos 40 do século XX.
Porta de São Tiago
Presume-se que a Porta de Santiago já existisse no período islâmico, embora o arco gótico que apresenta actualmente revele a existência de obras posteriores, provavelmente no séc. XIV.
Este seria o principal acesso à antiga cerca, comunicando com a almedina que ficava no exterior dos muros primitivos.
Com a ampliação do perímetro muralhado, esta porta passa a ser interior, ligando-se a outra entretanto construída: a Porta de Nossa Senhora da Graça.
Igreja de Nossa Senhora do Carmo (São João do Mocharro)
A história da igreja de Nossa Senhora do Carmo, foi outrora dedicada a São João Baptista, perde-se no tempo.
A tradição diz ter existido neste mesmo local um templo dedicado a Júpiter. Embora as evidências arqueológicas não tenham ainda confirmado esta hipótese, nada aponta, porém, em sentido contrário. Certo é que no período islâmico aqui existia uma comunidade cristã com a sua igreja dedicada a São João Baptista, devoção muito característica entre os moçárabes.
No início da reconquista esta igreja foi reparada ou reconstruída, sobrevivendo do seu passado românico apenas uma pequena porta no alçado Norte. Também nos séculos XIV e XV a igreja sofreu grandes obras, mas gradualmente a sua periferia urbana se foi desfazendo. Grande parte das actividades que sustentavam a comunidade do Mocharro estavam ligadas à Lagoa. Com o seu recuo natural e o assoreamento artificial feito no século XVI, muitas pessoas deverão ter-se deslocado para as localidades de Arelho e Santa Rufina, nas margens da Lagoa.
Em 1636 a Paróquia e Colegiada de São João pediram à Misericórdia de Óbidos o empréstimo da capela de S. Vicente, que antigamente dava apoio ao hospital dos gafos. Anuindo ao pedido, a paróquia instalou-se nesse templo, permanecendo aí até à sua extinção no séc. XIX.
Também no século XVII a igreja de São João adoptou novo orago, ficando dedicada a Nossa Senhora do Carmo.
Desta igreja, hoje parcialmente reabilitada depois de mais de meio século de abandono e ruína, subsiste uma excelente imagem de São João Baptista, produzida em Coimbra no século XV; e a imagem de Nossa Senhora do Carmo, de 1636, oferecida pelo 1.º conde de Óbidos, D. Vasco de Mascarenhas.
Porta Talhada
A Porta Talhada deve o seu nome ao facto de ser rasgada num maciço rochoso. Datada dos séculos XII ou XIII, esta porta servia para que o arrabalde do Mocharro pudesse comunicar com o interior da Vila muralhada.
Deste ponto pode observar-se uma magnifica paisagem sobre o lado Poente da Vila.
Entre esta Porta e o Postigo do Jogo da Bola foi criado em 2004, um pequeno parque cinegético, permitindo passeios pedonais e um contacto mais directo com a natureza.
Porta da Senhora da Graça (Porta do Vale)
Localizada no eixo viário entre a almedina / judiaria e o arrabalde, esta porta foi criada no decurso das obras de ampliação da muralha no século XIII.
Além da sua função de permitir a passagem e o controle dos transeuntes, a porta tem também uma importante função religiosa e social.
No interior da torre onde se encontra a porta, foi criada uma capela dedicada à Virgem, em acção de graças pelo sucesso da resistência ao cerco posto pelo então Conde de Bolonha (1247-48) à Vila. Em memória deste feito, após a morte de Sancho II (falecido em Toledo em 1248), o novo monarca, D. Afonso III, reconhecendo a lealdade com que o Povo de Óbidos serviu o seu predecessor e como forma de reconciliação, atribuiu-lhe o título histórico de “Mui Nobre e Sempre Leal”.
Em 1727, o Oratório de Nossa Senhora da Graça, foi reformado às expensas de Bernardo de Palma, magistrado que servira na Índia, em cumprimento de uma promessa e em memória de sua filha que se suicidou, aos 22 anos, devido ao facto do seu pai não consentir no amor que esta tinha por um jovem de Óbidos.
Desta data possui um imponente altar em pedra lavrada que tradicionalmente albergava a da Virgem com o Menino (séc. XIII/XIV) a qual hoje se encontra na igreja de Santa Maria, bem como as imagens de Santo António, S. Joaquim, Santa Ana e São José (estas já do séc. XVIII).
Chafarizes
O Chafariz do Poço

O Chafariz do Poço, ou Chafariz Novo, foi mandado construir por D. Maria I, em 1792, no local onde a tradição diz ter existido um poço ou cisterna árabe.
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Chafariz da Biquinha

Considerada a fonte mais antiga da vila ela foi também a mais importante até à construção dos chafarizes com água fornecida pelo Aqueduto da Usseira. As suas águas eram consideradas “santas” ou medicinais, e serviam para tratar males dos olhos.
Segundo a tradição, esta fonte já existia a quando da conquista de Óbidos aos Mouros, mas a sua actual feição foi-lhe dada numa obra executada em 1856.
A fonte (habitualmente designada por chafariz) é abastecida por um veio natural que brota não só neste ponto, como num olho de água localizado poucos metros acima, numa terra de semeadura, vinha e olival.
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