Mapa da Freguesia


Heráldica

 
Associação de Defesa do Património do Concelho de Óbidos  


Morada:
Casa de Nossa Senhora do Mouserrate
Largo da Odem Terceira
2510-073 Óbidos

Presidente:
Professor Carlos Orlande

20.º Aniversário da A.D.P.C.O.

A Associação de Defesa do Património do Concelho de Óbidos (ADPCO), foi criada por escritura pública de 29 de Agosto de 1985, tem por objectivos a salvaguarda e promoção do Património Cultural e Natural da circunscrição municipal que representa e, muito particularmente, criar meios de educação patrimonial que permitam à população conhecer, respeitar, proteger e utilizar a sua herança.



Tudo começou em finais de Novembro de 1984, quando o Presidente da Câmara Municipal convidou os Drs. Joaquim da Silveira Botelho, Frederico Garcia e João da Gama Lourenço para uma reunião que aconteceu no dia 15 de Dezembro, pelas 15 horas no salão dos Paços do Concelho. A razão principal deste convite é que havia, pela legislação da altura, possibilidade de se conseguir alguns subsídios importantes para a conservação dos nossos monumentos, principalmente das nossas igrejas, mas que não se podiam alcançar vindos directamente para a Câmara, mas sim através de uma associação idónea e com estatutos aprovados, que receberia esses subsídios e os entregaria, através da Câmara, às entidades ou comissões que superintendessem esses monumentos.

Os três elementos convidados aceitaram o convite, tendo o Dr. Silveira Botelho sido a “alma mater” dos estatutos, até porque era amigo de alguém muito versado em direito canónico, imprescindível para os desejados estatutos.

Entretanto, o Padre Venâncio foi informado da iniciativa da Câmara, e preocupado de que uma Associação de natureza civil se imiscuisse nos bens paroquiais de que o Pároco é o administrador nato segundo o cânone 532 do Código de Direito Canónico, procurou antecipar-se convidando também algumas pessoas para formar uma Associação especificamente criada para a Defesa e Conservação do Património Artístico-Religioso das Paróquias de Santa Maria e São Pedro da Vila de Óbidos.



No dia 29 de Dezembro de 1984, em casa do Dr. Silveira Botelho, em Óbidos, realizou-se a primeira reunião da auto-proclamada comissão instaladora, donde saíram as seguintes directivas:

a) - Criação de um grupo de trabalho para iniciar os estudos sobre a constituição de uma futura Associação de Defesa do Património Cultural.

b) - O grupo de trabalho elaborará o seu regulamento interno até à redacção e aprovação dos Estatutos.

c) - A Câmara Municipal porá à disposição do grupo de trabalho instalações físicas.

d) - O grupo trabalhará em regime de confiança e sinceridade plena entre os seus elementos e com igual discreção.

e) - Conseguir elementos de ligação do grupo de trabalho com:

1 - Freguesias
2 - Região de Turismo do Oeste
3 - Câmara Municipal (Pelouro da Cultura e jornal do concelho)
4 - Igreja
5 - Elementos jovens da Vila e do Concelho.

Em cumprimento do estipulado em 4, marcou-se uma reunião com elementos da Igreja, tendo comparecido o Padre Venâncio acompanhado pelo João Ramos.



Com toda a sinceridade foi dito o que pretendiam, e como já havia um projecto de estatutos, foi mostrado como neles estava bem defendida a autonomia, gestão e administração do património religioso: (artgos 4.º alínea c), (artigo 6.º) e (artigo 7.º alínea a) e b).

Dissipados assim os infundados receios da Igreja, tudo voltou à doce paz de Óbidos, nunca a Secção da Igreja Católica tendo tido efectivação prática dentro da Associação.

Após a aprovação dos Estatutos, o próprio jornal “O Obidense”, sob a presidência de Álvaro Loureiro, passou a integrar a Associação, com subsídio da Câmara para o efeito.

Passado algum tempo, os sócios fundadores chegaram à conclusão que não deviam ser eles a dirigir a Associação a partir de Lisboa, mas sim que deveriam ser os próprios obidenses na Vila residentes a fazê-lo, e em 10 de Janeiro de 1988, a comissão instaladora deu posse aos novos corpos gerentes da Associação, ficando na Assembleia Geral os sócios fundadores.

Ao longo destes 20 anos esta associação tem desenvolvido inúmeras acções, interagindo com as mais diversas instituições do concelho, delas se destacando as parcerias desenvolvidas com a Câmara Municipal de Óbidos através dos seus serviços de cultura (Museu, Biblioteca e Arquivo), com as Juntas de Freguesia, com os serviços regionais do Ministério da Educação através dos cursos de Ensino Recorrente e Extra Escolar, com a Misericórdia de Óbidos, com as colectividades do concelho e com outras instituições nacionais de defesa de Património.



Também de forma especial tem colaborado com as paróquias locais, dado que grande parte do Património Cultural (edifícios, bens móveis e tradições) é tutelado por essas instituições.

Com uma linguagem simples e acessível, de modo a ser entendida por todos, muitas têm sido as iniciativas realizadas com programas educativos, permitindo vários caminhos para chegar a uma maior sensibilidade para com as questões do Património Cultural e Ambiental.

Ao longo destes 20 anos de existência, embora com períodos de maior ou menor intensidade de acções, a ADPCO tem vindo a manter duas orientações, hoje consolidadas: por um lado privilegiar a comunicação e formação patrimonial; por outro manter a equidistância necessária a todos os organismos e parceiros de trabalho, de modo a preservar a sua “independência” e capacidade crítica.

Após um período inicial essencialmente ligado à actividade redactorial e editorial do periódico “O Obidense” (hoje em fase de reestruturação), é em Junho de 1994 que surge um novo e muito eficaz meio de comunicação e de formação patrimonial que, de algum modo, não substitui a edição deste jornal, mas permitiu uma gestão e uma relação mais directa com a população e outros “amigos” de Óbidos.

A esta situação não será estranho também duas ocorrências: o facto do presidente da direcção da ADPCO, ter sido destacado para a Coordenação Concelhia do Ensino Recorrente e Extra Escolar, hoje, OLEFA (Organização Local de Educação e Formação de Adultos), cuja a base de trabalho era algo árida e que, com o apoio da Associação de Defesa do Património, se conseguiu tornar mais interessante; e também o facto do Museu Municipal se ter tornado mais dinâmico com a chegada de novos recursos humanos com formação na área da Museologia e Património.

Deste modo a Associação, Museu, comunidade escolar, Câmara, Freguesias e outras instituições conseguiram, em determinado momento, cruzar os seus interesses de estudo e salvaguarda do Património.



A Associação tem tentado, numa metodologia simples, recorrendo a meios de comunicação aparentemente precários mas extraordinariamente próximos da população, promover o debate sobre os diversos tipos de património, e de que modo eles se cruzam na nossa vida.

Acima de tudo a associação tem sido, e deseja continuar a ser, um forum onde vozes diferentes podem buscar um ponto de equilíbrio; e não se tornar em mais uma instituição que de forma mais ou menos arrogante ou impositiva determine uma espécie de Verdade sobre o Património. Tentamos que haja a cultura do bom senso, cruzando críticas, teorias e experiências e adquirindo ao mesmo tempo material de base em diversos momentos, permitindo-nos afirmar a nossa disponibilidade de cooperação com a Câmara e com o Gabinete de Gestão do Património, situação que talvez ainda não tenha sido explorada, Atendendo a que a autarquia tem vindo, nos últimos anos, a desenvolver uma série de acções no domínio do Património, sobretudo com a defesa da intenção de candidatura de Óbidos a Património da Humanidade, e dado que os objectivos destas duas instituições são em muitos pontos convergentes, entende-se ser oportuno a consolidação e definição formal de apoio mútuo entre as instituições citadas.

No que respeita a projectos concretos, podemos distinguir alguns de natureza eminentemente lúdica, como a música, embora por vezes haja aqui um factor de investigação de grande importância. Veja-se o exemplo de um concerto promovido pela associação em 1996, no qual se deu a conhecer na actualidade o compositor obidense José Joaquim dos Santos, constituindo hoje já um marco na musicologia nacional, uma das bases de investigação universitária e desempenhando um importante papel nos objectivos de investigação da referida comissão de investigação de Óbidos.

Ao nível das tradições o mais significativo contributo foi a recuperação, em 1992, de uma tradicional procissão, dita “da rapaziada” e canonicamente conhecida por Procissão Penitencial de São Francisco. Esta manifestação é, hoje, um dos momentos altos das festividades religiosas da Vila e, de forma idêntica, propõe-se esta associação a colaborar activamente na reabilitação da Procissão de Nossa Saenhora da Piedade, padroeira da Vila de Óbidos.

Foi também, partindo do estudo e promoção desta festividade, que no decurso dos dez anos subsequentes se procedeu ao integral restauro da capela e do recheio artístico (tectos pintados, um retábulo pintado entre 1599 e 1600, e todas as imagens).

Ainda sobre as tradições obidenses, realizaram-se as diversas conferências, entre elas: Encontro de Santo Antão e Santo António; os Franciscanos em Óbidos; Os Maios - tradição de origem romana; a Ocupação Romana e Islâmica; Educação e Património; O Turismo no Oeste - perspectivas de evolução e desenvolvimento; etc.

Desde a descoberta dos primeiros vestígios romanos que permitiram identificar a cidade romana de Eburobrittium (1993-94) e até 2003, esta associação tem garantido o apoio institucional às escavações nessa estação arqueológica, embora aqui a nossa interferência se tenha limitado a alguns pormenores de natureza financeira e à promoção de visitas especializadas.



Desde 1994, a principal actividade da associação tem sido a realização de visitas temáticas designadas “Descobrir Óbidos” e as edições de bolso (os esssenciais) com temas diversos.

Com mais de meia centena de visitas “Descobrir Óbidos” realizadas, um vasto conjunto de temas foi já tratado. Percorrendo todas as freguesias do concelho, foram abordados quase todos os temas possíveis, desde o Património artístico, arquitectónico e urbanístico, passando pela História, tradições e a homenagem a diversas figuras importantes para a história local; ou uma observação das principais actividades económicas do concelho (agricultura, pesca e recolecção de mariscos, indústrias artesanais ou manofactoreiras como as velas, ginja, cestaria, carpintaria, floricultura, etc.) terminando num forte apoio à salvaguarda e equilíbrio dos ecossistemas e paisagem.

Descobrir Óbidos é, essencialmente, uma ferramenta de trabalho cuja função é permitir o conhecimento, a valorização, a protecção e socialização do Património e dos conceitos a ele agregados.

Sensibilizando a comunidade para uma atitude prática e pedagógica, este projecto foi pioneiro na Região Oeste e tem dado excelentes resultados, sobretudo ao nível da comunidade local.

Esta metodologia de trabalho, além de permitir uma sensibilização para a questão do Património é, sobretudo, uma inestimável forma de desenvolver amizades e de criar um verdadeiro e sólido grupo de observadores e defensores dos princípios de salvaguarda do extenso legado que faz de Óbidos um Monumento Nacional (desde 1951).

Temos absolutamente certo a salvaguarda do Património só se faz se o conhecermos, aceitarmos, respeitarmos e integrarmos nas nossas vidas como algo de precioso e útil, tanto no edificado, como na arte, tradições ou Natureza.

Neste aspecto a componente educativa é muito importante e só assim se conseguirá que haja um sentido de desenvolvimento sustentado, harmónico que nos permita viver felizes e à verdadeira escala humana.

Património Natural e Ambiental

Uma Associação de Defesa do Património que não valorizasse dentro dos meios à sua disposição, mesmo que limitados, a defesa do Património Natural e Ambiental não estaria por certo a cumprir a sua obrigação.

Por isso nestes vinte anos, a defesa do Património Natural e a defesa do Ambiente como parte integrante desse Património, mereceram da parte da Associação a devida e possível atenção.
Falar do Património Natural no nosso Concelho, remete-nos à partida para a Lagoa de Óbidos, por ser ela a peça mais valiosa desse Património e aquela que mais directamente e visivelmente, sofrer as consequências das agressões ambientais.

Por isso tentámos o possível e o impossível, para defender a nossa Lagoa.

Conseguimo-lo?

Esta a pergunta que em primeiro lugar se impõe a nós Associação.

Temos tanta consciência de que o tentámos, como conscientes estamos de que os resultados ficaram muito aquém dos nossos desejos e do nosso empenhamento.

A Lagoa de Óbidos é um Eco-Sistema frágil, que merece da parte da Tutela uma atenção que não tem tido, em função das necessidades e da importância, mesmo económica, pois quando nem à Economia se dá atenção, como poderemos esperar que haja sensibilização para a defesa do valor Ambiental da Lagoa, que implica à partida custos também económicos?



Em nosso modesto entender, a defesa da Lagoa de Óbidos necessita de urgentes medidas, que passem em primeiro lugar pela mudança rápida da Entidade que nela superintende.

A continuação da Lagoa no âmbito do Instituto da Água, enquanto se mantiverem as ideias redutoras dos seus responsáveis, só poderá trazer à Lagoa de Óbidos mais dissabores, mais promessa vãs, mais desenganos, mais do mesmo... ou seja, quase nada.

É necessário que o Ministério da tutela, tenha a coragem e a atenção necessárias, para alterar o rumo dos acontecimentos e dar finalmente à Lagoa de Óbidos, a possibilidade de nela serem efectuadas as acções necessárias à sua continuidade com a qualidade que ela merece, todos sonhamos, e que tardam em tornar-se realidade.

É urgente que seja constituído no âmbito do Ministério do Ambiente um Grupo de Trabalho (há tanto reclamado!), de que façam parte entre outras entidades as Câmaras Municipais de Caldas da Rainha e Óbidos, para além das Associações que nos dois concelhos fazem a defesa da Lagoa de Óbidos.

Mas é necessário que essas Entidades sejam ouvidas como parceiras com o peso necessário, de forma a poder ser alterado o panorama do que não se tem conseguido fazer pela Lagoa, apenas porque à partida nos deparamos desde há muito, com ideias e pessoas que julgando ser donas absolutas do conhecimento e da verdade, têm impossibilitado que se trate bem a nossa Lagoa de Óbidos.

Por ela lutámos, tentámos ser incómodos, pedimos, quase suplicámos... mas constatámos infelizmente que pouco ou quase nada conseguimos.

Por isso, quase apenas nos resta agora esperar que as coisas possam finalmente mudar... se conjuntamente com os esgotos que são lançados no Oceano, forem também mandados embora aqueles que não têm defendido convenientemente a Lagoa de Óbidos, mas antes parecem ter permitido por negligência ou incompetência, que a Lagoa apenas venha servindo interesses qu não são os nossos... e muito menos serão os dela.